02/06/2026 | Notícia | ArchDaily

Descrição enviada pela equipe de projeto. A história desta residência começa antes mesmo do projeto: auxiliamos os clientes na aquisição de um terreno que, por suas características topográficas acentuadas, apresentava valor acessível dentro da composição orçamentária da família. O lote reunia, no entanto, atributos essenciais — condições de acesso, relação privilegiada com a paisagem natural e proximidade com a rotina urbana da família — tornando a equação lote+obra civil viável e estratégica.

O sítio apresentava uma preexistência relevante: uma obra inconcluída com térreo e parte do primeiro pavimento já executados, além de projeto aprovado junto à Prefeitura Municipal de Nova Lima. O ponto de partida foi, portanto, o levantamento rigoroso da edificação existente, a atualização do levantamento topográfico e a revisão criteriosa do programa de necessidades.


O grande aclive de 13 metros que separa a Rua Grandolfo do nível da casa tornou-se o problema central — e também a oportunidade de projeto mais expressiva. A solução proposta foi a implantação de um elevador conjugado a uma passarela metálica, que passa a ser o elemento de chegada à residência e uma marca singular no contexto local. Mais do que infraestrutura de acesso, essa conexão vertical configura uma experiência de intervalo, contemplação e promenade.

Nas cotas mais baixas do terreno, um arrimo estruturado viabiliza o corte do terreno natural para acomodar as vagas de garagem. A mesma lógica se repete na porção posterior do lote, onde o corte conforma um pátio privativo nos fundos da casa — protegido dos ventos, de olhares externos e, ao mesmo tempo, estabelecendo o afastamento necessário entre os ambientes internos e o terreno natural, mitigando a troca de umidade direta com a edificação.

A setorização da casa segue uma lógica clara de privacidade progressiva: a área íntima — suíte do casal e dois quartos dos filhos com banheiro compartilhado — ocupa o pavimento superior, enquanto os ambientes de uso coletivo se desenvolvem no térreo. A transição entre esses usos é feita por uma escada em estrutura mista: metálica no primeiro lance, em concreto armado no segundo — uma solução que traduz materialmente a sobreposição de sistemas presentes na obra.

No pavimento térreo, o partido privilegia a fluidez e a continuidade espacial. Da fachada frontal ao pátio privativo nos fundos, os ambientes se sucedem em sequência generosa e integrada: salas de estar, jantar e ping-pong, atelier e, no extremo norte, a cozinha. A porção oeste acomoda os apoios da casa —depósito e área de serviço—, liberando o restante da planta para a convivência irrestrita entre dentro e fora.



A materialidade da residência dialoga diretamente com o contexto construtivo regional: estrutura de concreto armado, fechamentos em alvenaria cerâmica, amplas esquadrias de alumínio e cobertura em telha cerâmica. A pérgula metálica, que retoma o vocabulário já presente na passarela e no elevador, é executada em aço pintado em tom terroso — uma referência direta ao minério de ferro que colore a paisagem e a atmosfera de Nova Lima.


Nos interiores, a casa revela sua camada mais íntima. Paredes pontuadas por telas e pinturas — algumas ainda em processo — estendem para dentro de casa o atelier da artista que habita a residência com sua família. A arquitetura de interiores é preenchida por objetos de afeto e memória familiar, enquanto a proposta luminotécnica opera com discrição e precisão: não protagoniza, mas ilumina, enfatiza e organiza os ambientes da casa sem excessos.


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