Construção civil esbarra na falta de mão de obra e acelera industrialização dos canteiros

12/08/2026 | Notícia | Assessoria de Imprensa CBCA

Levantamento da FGV Ibre mostra salto de 15,6% para 32% na utilização do sistema light steel frame entre 2025 e 2026. Estruturas em aço aparecem entre as tecnologias industrializadas mais disseminadas, com índice de 51%

De acordo com o Índice Geral de Industrialização da Construção (IGIC), novo estudo da FGV, divulgado em 11/08, a industrialização da construção civil brasileira avançou em 2025-26, sendo ainda gradual e desigual. A pesquisa foi elaborada a partir de quesitos especiais da Sondagem da Construção, comparando junho de 2025 com junho de 2026. É sabido que um dos grandes desafios do setor da construção civil é a sua baixa produtividade, com diferença expressiva para o setor manufatureiro. Dados mostram que nos últimos 30 anos a diferença reduziu, refletindo a piora mais acentuada na produtividade da indústria: entre 1995 e 2025, enquanto a produtividade agregada do trabalho da economia brasileira (valor adicionado por pessoal ocupado) cresceu 19,4%, na construção civil e na indústria de transformação caiu 19,9% e 29,5%, respectivamente.

Vale destacar ainda que a industrialização da construção civil no Brasil enfrenta alguns impasses econômicos. Entre eles destacam-se os elevados investimentos iniciais em tecnologia e infraestrutura, a necessidade de qualificação da mão de obra, as barreiras culturais relacionadas à adoção de novos processos e a adaptação dos modelos de contratação e suprimentos, além da necessidade de integração entre projetistas, fabricantes, construtores e fornecedores. A superação desses obstáculos exige esforços coordenados entre empresas, instituições de pesquisa, entidades setoriais e formuladores de políticas públicas. Nos últimos anos, com o crescimento setorial alavancado pelos investimentos na habitação e, mais recentemente, pela infraestrutura, ocorreram avanços, mais empresas se modernizaram. Entretanto, não se dispõe de métricas que acompanhem essa evolução.

“Diante desse cenário, torna-se fundamental o desenvolvimento de instrumentos capazes de monitorar e avaliar o avanço da industrialização no setor, de um indicador que permita medir o grau de adoção de práticas, tecnologias e sistemas industrializados, fornecendo subsídios para a tomada de decisão estratégica. Além de possibilitar o acompanhamento da evolução das empresas e do mercado ao longo do tempo, esse indicador pode contribuir para a identificação de oportunidades de melhoria, para a definição de metas de desempenho e para a formulação de políticas de incentivo à modernização do setor”, afirma Ana Maria Castelo, Raphael Vianna da Silva e Rodolpho Tobler, responsáveis pelo estudo.

De acordo com os especialistas, diante da necessidade de monitorar de forma objetiva o avanço da industrialização da construção civil, o FGV IBRE desenvolveu esse indicador setorial, com um retrato atualizado, que torna possível acompanhar a dinâmica recente na utilização dos sistemas construtivos, e com quesitos que passam a ser aplicados anualmente.

O Centro Brasileiro da Construção em Aço acredita que os resultados do IGIC indicam que a industrialização da construção civil brasileira já apresenta evolução positiva entre 2025 e 2026, com o aumento do Indicador de Adoção revelando um processo de gradativa disseminação das tecnologias industrializadas entre as empresas do setor. Entende ainda que o crescimento apresentado pelo Índice sinaliza continuidade do processo de modernização produtiva da construção civil, reforçando a importância do monitoramento e demonstrando que soluções mais avançadas, como o light steel frame, começam a ampliar a sua participação no mercado.

Sistemas construtivos industrializados mais utilizados

Dentre todos os números que foram divulgados, a pesquisa demonstrou que um dos sistemas construtivos industrializados mais utilizados atualmente são as estruturas em aço, presentes em cerca de 45% das empresas. Também observado, quando o assunto é crescimento na utilização de alguns sistemas com maior conteúdo tecnológico, que o sistema light steel frame passou de 15,6% para 17,4%, na comparação junho de 2025 x junho de 2026.

Mais informações sobre a metodologia e demais números divulgados podem ser encontrados em https://blogdoibre.fgv.br/posts/indice-geral-de-industrializacao-da-construcao.

 

Sobre o CBCA

O CBCA é uma entidade de classe, criada em 2002, com o objetivo de ampliar a participação da construção industrializada em aço no mercado nacional, realizando ações para sua divulgação e apoiando o seu desenvolvimento tecnológico no Brasil.

Tem como gestor o Instituto Aço Brasil e não é uma entidade comercial. Para acessar os últimos dados divulgados pela entidade sobre o mercado da construção em aço, acesse www.cbca-acobrasil.org.br/site/estatisticas.

 

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Ana Carolina Malandrino

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